Gerar Esperança


Testemunho de Fátima Santos

Ola a todas.

Nada melhor do que as prórpias associadas para descreverem o que se faz nos grupos de terapia e o porquê de irem. Assim sendo este é o testemunho de uma delas.

"Chamo-me Fátima Santos, tenho 37 anos e perdi a minha bebé em Abril de 2004. Entrei para a terapia em Setembro de 2005. Fui para a terapia por minha própria iniciativa, fui eu que procurei porque sentia necessidade de pertencer a um grupo assim.

Agora, visto de alguma distância, na altura eu achava que não estava muito mal pois tinha encontrado a minha maneira de sofrer e de fazer o luto. Agora sei que estava errada e a terapia ajudou-me a descobrir isso.

Quando iniciei a terapia, não conseguia chorar, tinha um pensamento muito racional em relação à morte, pensava que teria que existir uma explicação para tudo e quase que era obsessiva para encontrar respostas para isso. Mas uma das coisas que mais me atormentava era o sentimento de culpa. Sentia que eu era responsável pela morte da minha filha, que não a tinha sabido proteger.

Aos poucos, a terapia e a partilha de emoções foram-me fazendo mudar. Comecei a conseguir chorar, a deitar para fora todo o meu sofrimento solitário, comecei a deixar partir a carapaça que era o meu refúgio contra a dor. Não posso dizer que tem sido fácil, pois algumas sessões são muito dolorosas, trazem algumas memórias difíceis, mas tenho a consciência que só assim posso melhorar.

Neste momento já ultrapassei muitas barreiras. Já choro facilmente, já não sinto sentimento de culpa pois compreendi que nada poderia ter feito, já consigo ultrapassar muitos dos meus momentos, pois arranjei na terapia mecanismos que me ajudam a compreender-me e a conhecer-me melhor e ao mesmo tempo a defender-me contra situações que ainda são dolorosas.

Tudo isto tem sido uma caminhada conjunta. Tenho ao meu lado a minha família, as minhas companheiras de terapia e também a Dr.ª Sandra. Não posso deixar passar esta oportunidade para expressar o meu agradecimento público a esta pessoa que, ao longo de todo este tempo não nos tem deixado desistir e que acredita em nós e na nossa evolução emocional. A dr.ª Sandra, mais que terapeuta tem sido nossa amiga nos piores momentos, sempre disponível e que se preocupa, mesmo quando passado algum tempo das perdas os nossos amigos e familiares já não têm paciência para nos ouvir, a Dr.ª Sandra tem sempre essa disponibilidade e interesse para nos ajudar.

Recordo que em algumas sessões ela me levou aos meus limites de sofrimento, mas logo a seguir dá-me um beijo ou um gesto de conforto. É isso que é um exemplo de alguém que exerce a sua profissão por gosto e é essa uma das razões que me motiva a ainda continuar na terapia. Sentir que embora ás vezes ainda seja difícil resistir à dor e à saudade, há ali uma pessoa que não desiste de nós.

Fátima Santos"

Depois de escrever e ler este testemunho, apenas quero agradecer à Fátima o nunca ter desistido, e que continuarei sempre aqui para todas vós.

Um bem haja para todas

Sandra Cunha



Escrito por sandra às 13h59
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Encontro de Saude materna em Viseu

E mais uma vez lá estivemos nós.

A conferência de iseu correu lindamente. Duas das apresentações tiveram referência da nossa associação, do nosso trabalho. Senti-me honrada em dar a cara mais uma vez pela Artémis. Finalmente o pessoal médico começa a perceber o quão importante é o nosso trabalho.

Na área de Viseu já nos estão a ser encaminhadas utentes que passam pelo hospital em situação de abortamento. Já não as deixam ir embora sem terem a quem recorrer.

Fizemos cntactos e as portas começam-se a abrir. Leentamente, mas a abrir e isso é o que nos faz continuar a lutar.

Obrigada Viseu, e em particular ao pessoal de enfermagem, principalmente aà enfermeira Manuela Bento por nos ter dado a mão e caminhar connosco para crescermos.

 

Um abraço a todas

Sandra Cunha

 



Escrito por sandra às 15h02
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E o agora?

 

Neste momento a Associação começa a ter mais trabalho. O departamento andava um pouco parado, mas parece que afinal a boa maré voltou.

Estamos com um grupo de terapia a funcionar em braga. São poucas as artemisas inscritas, mas contamos (eu e elas) que mais artemisas deiam a cara e se juntem nesta luta, só assim o trabalho vale a pena.

Em Braga estou apenas a aguardar que mais uma artemisa se queira increver para arrancar com um grupo de terapia, o meu 3º grupo. Entretanto as consultas individuais vão aparecendo, aos pouquitos, mas vão aparecendo.

Para além das consultas temos participados em conferências e jornadas que nos têm permitido dar a voz a todas as artemisas e à dor que passam quando acompanhadas a nível médico nos hospitais, tentando sensibilizar o pessoal médico para que encaminhem novas associadas, de forma a que não se sintam sozinhas, e as possamos ajudar.

Arrancamos também este mês com estágios de psicologia, neste momento a minha pupila (como carinhosamente lhe chamo) tem feito um optimo trabalho (parabéns mónica!!) e finalmente mais um gabinete, o tão ansiada gabinete em Lisboa. Espero artemisas que não tenha sido uma luta em vão. Vão lá, deem a cara, procurem ajuda, estamos cá para isso.

Um bem haja a todas,

Sandra cunha



Escrito por sandra às 15h51
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UM OBRIGADA SINCERO

 

 Esta é a carta que uma das associadas resolveu escrever-me no Natal de 2005, o meu primeiro Natal como Psicóloga da Artémis. Esta foi a primeira vez que deixe cair o pano, que mostrei que para além da técnica há a pessoa, a mulher que tem sentimentos e que por mais profissionalismo que exista há coisas ás quais não podemos ficar indiferentes.

 

"Todas nós chegámos aqui, por caminhos diferentes, com rostos diferentes, com expectativas diferentes, em tempos diferentes, mas com um sentimento comum: a DOR.

Quando chegámos nenhuma de nós procurava uma cura para a sua dor, pois sabemos que isso não existe, apenas procuravamos um espaço onde pudessemos libertar os sentimentos, as lágrimas escondidas e tímidas, procuravamos alguém que nos escutasse e compreendesse.

Encontramos! Encontramos um espaço omde todas as semanas vivemos momentos muito diferentes, uns dias rimos, noutros choramos, mas aqui podemos ser nós mesmas, ser a verdade de nós, aqui não temos que rir quando temos vontade de chorar.

Mas é claro que sozinhas não conseguiamos, precisavamos de alguém que nos soubesse escutar e compreender...

Mais uma vez encontramos! Encontramos alguém que nos escuta, que nos abraça, que ri connosco, que nos puxa as orelhas quando é necessário, que chora connosco, mesmo que só por dentro, que é um ser humano lindo.

É verdade Sandra, mesmo que nunca tenhamos visto uma lágrima, nós sabemos que também choras connosco, porque és um ser humano lindo!

Queremos que saibas que estás e estarás sempre no nosso coração. Por isso, hoje queremos dizer-te um obrigado, muito sincero por tudo o que tens feito por nós e desejar-te neste Natal e sempre o dobro do bem que nos tens feito.

Para ti um OBRiGADO SINCERO das tuas artemisas"

Este será um momento que nunca esquecerei na vida, um obrigado ainda mais sincero a todas, em especial à Salete que escreveu este maravilhoso texto e às artemisas do 1º grupo de terapia. Façam o favor de serem felizes.

Beijo grande de coração

Sandra



Escrito por sandra às 15h36
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O primeiro grupo de terapia, o grupo que me será eterno!!!

 

Hoje decidi falar do meu primeiro grupo de terapia, apenas desse que me marcou em vários sentidos.

Todos os grupos marcarão, cada um de uma forma diferente, mas este terá eternamente um cantinho especial no meu coração.

Qundo tivemos a priemira sessão eram apenas 3 associadas. Tímidas, com receio estampado na cara. Denotava-se uma dúvida espelhada no olhar, medo e ansiedade por algo que lhes era novo e do qual não tinham qualquer informação.

À medida que as semanas iam passando, o grupo foi crescendo, sempre que entrava alguém novo havia no ar a dúvida, mas ao mesmo tempo o abrir de corações dispostos a partilhar as suas histórias.

A primeira coisa que pude constatar foi que com aquelas mulheres eu não podia ser apenas a técnica, a psicóloga, teria que quebrar a barreira sem nunca deixar que o limite fosse passado. Em todas as sessões que entrava alguém de novo eu dizia, quase como que um alerta ou um mecanismo de defesa em relação à minha postura: "Eu serei o porto de abrigo, eu serei companheira de trabalho, mas nunca companheira de luta. E por mais insensivel que possa parecer, eu dar-vos-ei o meu ombro, mas nunca, em hipótese alguma chorarei com vocês!"

Acho que esta foi a minha salvaguarda. Não é que houvessem sessões que não saisse de rastos, e não foram tão poucas quanto isso. Havia alturas que eu mesma não entendia como me havia controlado, com todas aquelas histórias de dor e sofrimento, e este controlo não se aprende na faculdade. Por mais livros, por mais teorias que possamos ler, nunca estamos verdadeiramente preparados para ouvir tais histórias. Ma tinha que ser assim, não podia transparecer qualquer sentimento durante aquelas duas horas. Duas horas que muitas vezes pareciam quase que uma eternidade.

Era duas horas sagradas, parecia que para elas aquele era o seu momento, mais ninguém podias penetrar, pairava uma cumplicidade e companheirismo no ar como nunca vi igual. Acho que foi isto que fez com que tão árduamente este grupo trabalhasse um ano seguido, sem faltas, sem falhas por parte de ninguém.

Rimos muito, e isso eu fazia com elas. Choraram muito, abraçaram-se, deram as mão, traçaram objectivos em conjunto, sem nunca olharem para o seu próprio umbigo. Não havia o individual, havia o grupo, havia a união, e havia acima de tudo uma amizade entre elas.

Obrigada meninas (e vocês sabem quem são), por esse ano maravilhoso, cheio de alegrias e de aprendizagem. Obrigada por nunca terem desistido, mesmo que muitas vezes a vossa vontade fosse sair porta fora e dizer, Basta, não quero mais, tou cansada, sim, porque eu sei que ás vezes eu sou mazinha, e vos faço chegar ao limite, mas só assim as barreiras são quebradas.

Obrigada de coração, e nunca desistam guerreiras.

 

Um abraço e um beijo de coração

Sandra Cunha



Escrito por sandra às 19h58
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O que está a ser feito?

 

Olá a todas

Neste momento a Associação tem caminhado a passos largos para o seu desenvolvimento.

Temos um grupo de terapia que está a funcionar desde Outubro, no Gabinete da Maia. Este grupo é formado por três associadas, duas das quais já andam em acompanhamento à um ano e meio, e que com muita força e garra têm lutado e dado o seu melhor para adquirir a estabilidade emocional tão desejada, e uma associada que só agora iniciou acompanhamento.

É um grupo bastante unido, que tem os seus altos e baixos. Sim, porque não pensem que é só andar para a frente. Há momento que lhes apetece desitir, mas gera-se entre elas um elo de cumplicidade e parceria que não as deixa abandonar o grupo e que faz com que todas as semanas haja um motivo para estarem presentes.

Há sessões, que para elas são difíceis, mas também o são para mim.

É um grupo ainda recente, mas já com algumas histórias para contar.

Para além deste grupo, existe o acompanhamento individual e de casal. Um acompanhamento mais personalizado e no qual são trabalhadas questões apenas delineadas pela associada em questão. É um trabalho diferente, mas também bonito e de luta.

Artemisas, tamos no terreno, temos as portas abertas para vos dar a mão, mas o primeiro passo terá sempre que ser vosso.

 

Um bem haja

Sandra Cunha

 



Escrito por sandra às 19h44
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Escrito por sandra às 14h21
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Apenas para reflectir...

amizade.bmp



Escrito por sandra às 14h09
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O primeiro passo de uma longa viagem

 

 

lá vai 1 ano e 4 meses que esta caminhada começou.

Ao longo deste ano passei por muitas experiências novas e adquiri um imenso conhecimento sobre uma área que nunca me teria passado pela cabeça intervir.

O primeiro obstáculo que me surgiu foi: como vou eu trabalhar com estas mulheres? o que posso fazer e como as posso ajudar?

Antes demais tive que ler muito, procurar todas e quaisquer actividades que pudesse transformar e adequar as suas necessidades e problemáticas. Até que iniciei o primeiro grupo de terapia. O meu primeiro grupo de terapia e o primeiro desta associação.

Foi muito difícil fazer com que mulheres dessem a cara, que se expusessem, mas todas as semanas o grupo ia crescendo, umas iam entrando outras iam saindo, até que restaram as guerreiras, e digo guerreiras porque as poucas que ficaram durante um ano seguidinho, que todas as semanas estavam lá são umas lutadoras. Sim, não pensem que é fácil, estarmos 2 horas a trabalhar questões que nos incomodam. Mas afinal é para isso que elas lá estão. Não para esquecer, porque nada se esquece, mas para recordar de forma saudável um momento da vida que as entristece e as bloqueia para seguir em frente com a vida.

Este grupo permaneceu fixo durante um ano, até que uma das meninas engravidou, e por regra estabelecida, teve que ser encaminhada para um grupo de terapia para grávidas.

Mais uma nova etapa para mim. Como vou eu trabalhar com grávidas? Na altura engravidou também uma outra associada que desde logo se mostrou interessada em iniciar terapia. Não pensei duas vezes, tenho que investir nesta nova aprendizagem. E assim fiz. Mais uma vez pesquisei, procurei informação e comecei a trabalhar com elas.

Hoje, cada uma tem o seu bebé nos braços, e sinto-me feliz por de alguma forma ter ajudado estas mulheres a passar uma gravidez menos angustiante e a permitir que vivenciassem com felicidade, dentro do que lhes era possivel, a gestação.

Em paralelo a todo este trabalhao iniciei consultas individuais e de casal, sempre que considerava que a terapia de grupo não era suficiente ou que a associada não pudesse por indisponibilidade da mesma estar presente nos grupos de terapia.

Foi esta a minha base de trabalho, para chegar ao degrau no qual me encontro hoje.

Neste momento a Associação já me permitiu fazer um pouco de tudo: Conferências, dar formação, fazer terapia de grupo e de casal.

Obrigada Associação Projecto-Artémis por me ter permitido crescer quer a nivel profissional, quer a nivel pessoal. Obrigada por confiarem no meu trabalho e por me darem abertura para chegar onde cheguei.

Um bem haja a todas as associadas, à direcção e a todas as pessoas que directa ou indirectamente colaboram connosco.

Um bjinho a todas

Sandra

 



Escrito por sandra às 18h11
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porquê o nome gerar esperança?

 

 

Olá a todas

Decidi criar este blog porque tenho uma profissão que é preciso ter esperança, mas acima de tudo estou a trabalhar numa associação que o lema é GERAR ESPERANÇA.

Sou psicóloga, e como todos os colegas não foi fácil começar a trabalhar. Mas como todos os que me conhecem costumam dizer, eu sou uma sobrevivente, não desisto nunca de lutar pelo que me move. E assim foi, acabei o curso e decidi estagiar. Tive a sorte de entrar para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, local que me ensinou a humildade da profissão, que me ensinou com todas as pessoas que comigo caminharam a continuar a lutar e que depois do estágio acabar, uma nova etapa estava a surgir, o encontrar um local de trabalho.

Após terminar o estágio comecei a enviar curriculos, sem me interessar para onde, para que local do país. Numa dessas candidaturas fui ter à Associação Artémis. Na altura nem vi que era um lugar para psicóloga em regime de voluntariado.

Quando fui a Braga à entrevista, encontrei a Manuela, com o seu jeito acelarado e muito bem disposto. Aí me explicou qual seria o trabalho a fazer. Era uma associação que apoiava mulher vítimas de aborto espontâneo. Na altura aquilo era novidade, nunca me tinha passado pela cabeça o que estas mulheres passavam e que infelizmente no nosso país ninguém lhes dava apoio. Como era possível tal acontecer.

Vim embora a pensar nas histórias que tinha ouvido, na quantidades de mulheres que estavam a sofrer e não tinha uma porta para bater.

Apesar de estar a precisar de um trabalho remunerado, não consegui ficar indiferente, não consegui dizer não quando me contactaram a informar que o lugar de psicóloga na associação era meu. Pulei de alegria. Ia trabalhar na minha área, ia poder dar a mão a quem realmente precisa, ou afinal não é este o objectivo da profissão que tanto adoro?

Só depois de aceitar percebi que para além destas mulheres não terem qualquer apoio, na area da psicologia também não há qualquer estudo feito sobre tal tema, ou qualquer forma de trabalho já adequada para estas situações.

Comecei uma luta nova, o encontrar formas de trabalhar com estas mulheres, fui auto-didata mas foi isto que fez com que me apaixonasse pela associação, foi isto que me fez dar tanto valor ao que tenho aprendido e ao trabalho que realizo.

Começou assim a minha caminhada com a Associação Projecto-Artémis.

 

Um abraço

Sandra

 



Escrito por sandra.artemis às 18h00
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Portugal, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese
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  25/03/2007 a 31/03/2007
  11/03/2007 a 17/03/2007
  18/02/2007 a 24/02/2007
  28/01/2007 a 03/02/2007
  21/01/2007 a 27/01/2007


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